O Que Eles Um Dia Não Tiveram Vergonha De Fazer. E Continuam...

27 março, 2017

O Colinho Do Judas Das Classificações.

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Todo o homem tem um preço e que o diga Ferreira Nunes, antigo responsável pela secção de classificações do Conselho de Arbitragem. Em troca de 30 moedas de prata, Judas entregou Jesus aos seus captores – Ferreira Nunes teve direito a algo mais do que isso (como veremos mais adiante), mas tinha de entregar duas cabeças e não apenas uma. Falhou no objetivo mas teve préstimos muito mais valiosos para a causa benfiquista. Entretanto, o futebol português foi aliviado da sua presença, para já – isto porque o senhor não desiste da luta pelo lugar de presidente da Associação de Futebol de Coimbra.

Vamos por partes. Quem garantiu a Ferreira Nunes o lugar na secção de classificações do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol? Luís Filipe Vieira, pois claro. Em troca só lhe eram exigidas duas coisas: o afastamento de dois árbitros desagradáveis para o regime encarnado, Marco Ferreira, da Madeira, e Jorge Sousa, do Porto. Apesar de ter apitado a final da Taça de Portugal, em 2015, e de ter recebido as insígnias da FIFA em janeiro desse ano, Marco Ferreira foi despromovido da categoria de elite do futebol português, no final da época 2014/15. Jorge Sousa salvou-se in extremis do destino que lhe estava traçado, invocando uma oportuna lesão que o deixou de molho durante metade da temporada e que o manteve no escalão principal, sem classificação.
 
Ferreira Nunes, cuja presença nos camarotes da Luz se encontra documentada, podia ter-se limitado a garantir o possível, até porque é conhecida a sua paixão leonina, mas os amigos são para as ocasiões e é caso para dizer que o ex-dirigente foi para lá do que lhe pedia a troika encarnada. Uns maços de notas entregues por vias travessas ajudam a explicar todas as classificações simpáticas que ao longo do seu mandato fez pelo Benfica e que contribuíram de forma determinante para os títulos conquistados. Quem também beneficiou com isso foram as lojas da Avenida da Liberdade, que ficaram com problemas de stocks após a passagem da mulher de Ferreira Nunes, que chegou acompanhada de um tsunami de dinheiro vivo. E a origem das notas não era o petróleo angolano.

Ferreira Nunes não conseguiu enviar Jorge Sousa para o purgatório do CNS, mas compensou muito bem Vieira, repetimos. Aliás, começou a dar tanto nas vistas que já não teve hipóteses de prolongar o seu reinado. E os velhos laços não foram desfeitos, como prova o recente jantar do ex-homem forte dos observadores com Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, na Mealhada. Gonçalves foi responsável por apresentar Ferreira Nunes a Vieira, tendo nascido uma amizade baseada no… verde!

Voltando à metáfora bíblica, Ferreira Nunes não sentiu grandes remorsos pelo seu trabalho na FPF nem pelo que fez a Marco Ferreira, ao contrário de Judas. Entretanto, já arranjou um tacho agradável: é administrador das Águas de Coimbra, uma nomeação que valeu um comunicado bem duro do PSD, que não hesita em usar o termo cacique para o caraterizar. Não podemos, porém, concordar com a crítica que lhe é feita de falta de competência técnica: se há coisa que Ferreira Nunes faz bem é mesmo meter água.

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